
Afinal a tal maldição de Africa, que ao longo dos séculos tem levado que tantos homens e mulheres se agarrem como raízes a esta terra, existe ou é um mito?.
24.11.07
Metades

21.11.07
Escreve-me ...

6.11.07
Fazes-me falta

Mas nessa altura eu nem sequer sabia isso. E nunca me aproximara tanto do teu corpo. O teu cheiro surpreendeu-me pela delicadeza e pela névoa erótica. Encostei o meu braço ao teu e comecei a transpirar. Sentia uma vontade violenta de me desmoronar em ti. Não, não era fazer amor. Fazer amor não existe, porra, o amor não se faz. O amor desaba sobre nós já feito, não o controlamos – por isso o sistema se cansa tanto a substitui-lo pelo sexo, coisa gráfica, aparentemente moldável. Tambem não era foder, fornicar, copular – essas palavras violentas com que tentamos rebentar o amor. Como se fosse possível. Como se o amor não fosse essa fornicação metafisica que nos diz respeito – sofremos-lhe apenas os estilhaços que nos roubam vida e vontade. Eu queria oferecer-te o meu corpo para que o absorvesses no teu. Para que me fizesses desaparecer nos teus ossos. Eu educado no preceito alimentar de que os rapazes comem as raparigas, depois de uma vida inteira de dominio dos talheres queria agora ser comido por ti. Queria entregar-me nas tuas mãos.
E entreguei-me – terás percebido isso? Deixei de saber quem era. Continuo a precisar de ti para existir. Para dormir. Um dia confessei-te que tinha insónias. Terei chegado a explicar-te que as Variações Goldberg de Bach nasceram de um pedido do Conde Kaiserling, que lhe solicitara um tratamento para as insónias? E que por isso Bach escreveu as variações de acordo com uma receita que exigia «uma invariabilidade constante da harmonia fundamental»? Conversávamos pela noite dentro em tua casa, tú já mal conseguias manter as palpebras levantadas. Pedi-te que me deixasses ficar mais um bocadinho, porque me custava entrar em casa sem sono. Pegaste-me na mão,
- anda comigo!
e levaste-me para a cama. Enroscaste-te em mim e começas-te a coçar-me as costas muito devagar. Dormimos muitas e muitas vezes assim – e nunca, nem por um segundo, pensámos em fazer aquilo a que os inocentes chamam sexo. Falámos muito disso sim – desse acto a que as pessoas vão chamando sexo ou amor consoante as conveniências e as circunstancias. Esse acto que as pessoas vão repetindo até á mais exaustiva solidão. Nós não podiamos prescindir um do outro. Não podíamos entrar no infinito jogo finito do corpo. Derramei sobre a tua vida, por incontáveis noites, os meus breves amores perfeitos, pormenor a pormenor. E tu derramas-te sobre a minha as tuas paixões impossíveis, impossíveis de apagar. Desejo-te tanto, ainda.
25.10.07
Grito último
Tenho o ventre cheio de palavras. Só tu poderias carregar a minha
10.10.07
Nada em troca!
"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca." 9.10.07
Infernos
Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que no meio do inferno não é inferno, e preservá-lo e assim abrir espaços de precepção.” (150)Ítalo Calvino- "As cidades invisíveis"
14.9.07
Madeleine

Nos ultimos dias este caso atingiu foros de surrealismo sem limites com as investigações da policia e a procuradoria da justiça a envolverem os pais no desaparecimento da menina. Nesta onda de muitas palavras e pouco bom senso a imprensa tem desempenhado bem o papel de incendiario travestido de bombeiro.
Como pai e pessoa de bem, recuso-me sequer a imaginar aquilo que muitos já dão como factos consumados. E ainda nessa qualidade manterei até prova em contrário uma esperança inquebrável que aqueles olhos meigos não se fecharam para sempre e que as lágrimas derramadas pelos pais não eram de crocodilo.
É em ocasiões como esta que sinto alguma inveja daqueles que acreditam que rezando, o mundo poderia ser diferente.
4.9.07
Africa misteriosa!
Para quê ir á escola se a geografia ainda por explorar está nas formas únicas do meu corpo, a história da humanidade se pode aprender nos meus olhos, a biologia das paixões se vive nos meus lábios, a química da verdadeira fórmula do amor resulta dos meus beijos e tudo quanto se criou de verdadeiramente belo no mundo até hoje, partiu de dentro de mim!!!14.8.07
Memórias a preto e branco

consta por aí que nos amámos em tempos. que o nosso amor até afrontou a moral vigente nas regras da cartilha retrógada, instituída por aqueles que por falta de vida própria vivem a dos outros. referem pormenores sórdidos e passiveis até de excomunhão. falam de caricias infames partilhadas em público enquanto os corpos transpirados se colavam nas pistas de dança. citam os beijos prolongados até á exaustão com o mar como fundo e o sol quente de dezembro como cumplice. criticam as mãos ousadas que trocavam de corpo debaixo dos casacos nos nossos passeios de fim de tarde pela marginal.
estranho.
não me recordo de absolutamente nada destes factos. não sinto nem guardo mais nada deste tempo que não seja medo. medo de a partir do nada que eu diga ou faça, recomeçar mais uma qualquer acusação gratuita e falsa. medo da incontrolável loucura que te possue de cada vêz que deixas entrar em ti a irracionalidade da doença incurável do ciúme. medo de um dia não ousar conter a raiva e em vêz de bater com a porta, bater-te a ti. medo de mim. medo daquilo que não consigo compreender por mais esforço que faça. medo de antes de desistir voltar a insistir.
Estranho.
27.7.07
Porque me esperas?
Não quero mais obrigações morais, infidelidades escondidas ou passeios de familia para enganar a vizinhança.
Não quero dar mais nada por simpatia ou moralismos. Dei tudo quanto tinha a dar e o que tive de volta basta.
Nem receber, porque assim estou bem. Recebi tudo quanto me devias, porque nada. Paixão, sexo, tesão, não se trocam, vivem-se. Mãos, linguas e corpos transpirados não se repartem, oferececem-se. Amor, carinho, e atenção não se exigem, merecem-se.
De ti quero apenas a distancia entre o silêncio completo e o olhar cumplice. Nada de palavras e cobranças fisicas ou morais. Melhor ainda. Porque sou imoral tal como afirmas, quero a estrada livre para ir e voltar. Sem prévio aviso. Quando o corpo me pedir o teu e o teu me aceitar assim.
Tal como o predador da noite, quero a cancela aberta, escancarada. O salvo conduto para o abismo de onde ambos não merecemos sair.
Mas por favôr, não me exijas em troca que venda a consciência ao desbarato.
30.6.07
As sete maravilhas da blogosfera

25.6.07
Surreal

Prova de saúde mental não será conseguir sair de um pesadelo destes sem andar a falar sózinho pelas ruas?
13.6.07
Retalhos de uma semana em farrapos (cacos)

- “Pai, lá no teu escritório tem cama?” ... ops!!! como explicar...
- “ Pai, esta noite destapei-me e tive frio. Tú não me tapaste. Não me tapaste porquê? .... fod......
- “Paizinho, tú na lavas os dentes pq eu vi a tua escova lá em casa na casa de banho!” ... será possível k ela ande á procura das minhas coisas pela casa?
- "Paizinho akela foto onde o André e o Daniel estão a rir e a olhar pa mim, k estava na tua mesa a Julia escondeu ou alguem roubou!! ... não minha filha... apenas mudou de mesa... (confirma-se. ela anda á procura dos meus objectos pela casa...)
- "Pai, já não me dizes mais a palavra mágica quando eu acordo?" .... digo filha, a cada minuto e em cada lágrima, “amo-te”..
- “Pai tu já não gostas da mamy?” .... desta não me vou safar sem responder...
-“Pai, se não subires para almoçar eu tambem não almoço e prontos...” ....fogo... e agora?
- “ Pai, fecha a luz do escritório e vem agora. Tens de tomar banho e descer comigo. Já tá a ficar tarde e o meu professor fica triste quando chego tarde”.. 6,30 da manhã ao telefone...
- ”Pai sobe comigo ao colo. Tou cansada, estudei mt hoje... depois podes descer e ir trabalhar!” ... não minha filha se subir vou acabar por descer a chorar outra vêz... pior k isso... já estou...
- "Papá eu amanhã vou trabalhar contigo... depois vamos almoçar... e depois tu vais trabalhar até ser noite e eu vou andar na bicicleta lá no teu escritório. Vou estar todo o dia contigo”... fod.. mais uma vêz k dói tanto...
- "Pai.. eu não quero cantar aquela canção... tú já não cantas comigo!!!”... pois não... perdi a vóz, meu amor.. o nó na garganta não sai...
7.6.07
Ajuda-me!
Preciso que me ajudes a esquecer-te, que ponhas mãos à obra, que faças qualquer coisa que se veja. Preciso que pegues no batente, que te esforces um bocadinho, que dês à manivela, que carregues no botão, porque é imperioso esquecer-te. Diz-me que sou feia, que estou velha, que sou tola; diz-me que é ridículo, este amor enganado, impossível, desnecessário, incómodo, que já dura muito para lá do que é aceitável. Atira-me com todo o desprezo que tens à cara, toma balanço, como se uma tarte de natas num filme mudo; deita-me a língua de fora, vira-me as costas, escarnece. Por favor, escarnece. Diz-me que sou absurda, desmesurada, desregulada, que não tens paciência, que estou doida. Encolhe os ombros com enfado, isso, assim. Repete que não me queres ver, ri-te, com pena, encharca-me de pena, olha-me como se eu um cachorro abandonado, que é o que sou. Enxota-me, repete, paternalmente, com asquerosa condescendência, que já não tenho idade, que são coisas de miúda, que devia ter juízo, que não tens tempo nem condições para atentares nos meus desejos vãos de louca varrida. Manda-me passear, bugiar, dar uma volta ao bilhar grande, ver se estás na esquina, que me dás um tiro. Diz-me que te maço, que não me queres por perto, que talvez uma providência cautelar. Manda-me correr para a esquina, que eu irei. Manda-me, que eu irei. Ajuda-me a esquecer-te, que não estou de todo preparada para te amar até ao fim dos meus dias, que grande chatice me foste arranjar, agora, resolve-a, faz qualquer coisa, ajuda-me a esquecer-te.29.5.07
Sonho
