21.2.08

Para ti!


Não quero alguém que morra de amor por mim...

Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...

Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...

E que esse momento será inesquecível...

Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...

E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...

Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento... e não brinque com ele.

E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.

Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...

Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.

Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...

Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.


Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros...
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...

Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.

31.1.08

Profecia!



Recupero-te na memória. Faz hoje precisamente cinco anos que de mala a tiracolo e a alma carregada de negro, deitei oito anos de vida em comum para a sargeta e bati com a porta para nunca mais.

Muito brevemente completar-se-ão outros cinco anos que, na unica ocasião em que pós separação tentamos ter um dialogo com nexo, me disseste estas palavras em tom profético,: “Um dia vais concordar que recomeçar longe um do outro é o melhor para nós”

Nesse momento decidi parar de apostar em cavalos mancos e principalmente de pensar em ti. Transferir todo o desperdicio de energias das noites de insónia, para coisas bem mais estimulantes e preversas. No fundo, recomeçar a viver mesmo que para isso tivesse de esquecer a consciencia boa.

E recomecei. Já sem insónias mas dormindo ainda menos que antes. Durante uma gloriosa mão cheia de meses, dividi com estrelas cadentes e decadentes como eu carne, cama e sobretudo cumplicidades amarguradas. Umas se apagaram na transpiração dos lençois por mudar, outras tiveram ainda menos fulgor. Algumas, poucas, deixaram o brilho da verdade e o reconhecimento amargo que podia ter ido mais alem. Só não sabia onde seria o tal de alem, tal como não sei ainda hoje. Nunca soube reconhecer fácilmente os momentos de ficar ou partir. É um problema de berço ou mesmo antes. Crónico e incurável.

Desse período épico com momentos sublimes mas tambem muita coisa inconfessável á mistura, um acidente de percurso acabou por fazer nascer a luz que me alimenta os dias, carregado de teimosia em viver.
Fada Sininho. Aquela que generosamente espalha e revigora com o seu pó mágico, este corpo e espirito consumidos de tantas lutas perdidas. Fada Sininho. Paixão incondicional. Espólio unico. Fonte de saber e de amor. Tesouro inegociável.

Recupero-te na memória para agradecer aos deuses do acaso, a confirmação da tua profecia.

5.12.07

Demónios


Era apenas mais uma tarde de inicio de verão.

O livre arbítrio levou-nos, acompanhados de um amontoado de gente anónima e apressada, para dentro de um elevador de paredes escuras. Viagem curta mas com diversas paragens e alguma ansiedade.

Na pouca luz cumplice, os nossos olhares tocaram-se e durante segundos, ignorando a mole humana que nos redeava, trocaram em código a universal linguagem da cumplicidade acendendo sentidos e promessas.

À saída deixas-te-me um sorriso que acabou com toda a postura distante que tentara manter durante a breve viagem. Enquanto as portas se fechavam nas tuas costas, todos os olhares dos passageiros de ocasião se direcionaram para a minha atónita face, com evidente expressão de cumplicidade ou inveja mal disfarçada.

Desde esse dia, a expressão única dos teus olhos e o teu sorriso atrevido e belo, agarraram-se-me aos sentidos como um fotograma impresso na memória, provávelmente manipulado pelos muitos demónios que me habitam.

Vou serenando os luciferes, relembrando-lhes que a água nunca mais volta a passar debaixo da mesma ponte. Que aquilo que os simples chamam de destino é senão uma ratoeira para os incautos ou pouco avisados. Se já tenho o CV carregado de medalhas de papel gasto e a alma repleta de nódoas negras de outras batalhas e outras viagens. Autistas, com regularidade e presistencia demoniaca, eles voltam á carga, invocando argumentos com pouco sentido e ainda menos probabilidades de não serem senão o canto da sereia antes do abismo. No fundo eu sei que eles adoram ver-me na fogueira por isso vão preparando o fogo.

Vou resistindo por enquanto. Não sei por quanto tempo mais.

26.11.07

Morte anunciada


..."Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o
negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um
redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um
sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos."...

Pablo Neruda

24.11.07

Metades


se não encontras a tua metade da laranja, não desanimes,
procura a metade do limão, põe-lhe açúcar, aguardente e gelo e...

21.11.07

Escreve-me ...


Escreve-me!
Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me!
Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor!
Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!

"Amo-te!"
Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Florbela Espanca

6.11.07

Fazes-me falta


Foi no cinema, lembras-te? Les Parapluies de Cherbourg, um filme deslumbrantemente kitsch, tinha de ser. Entraste tarde, surgiste-me nas ultimas golfadas da música de Michel Legrand, já eu estava a instalar-me na delicia das lágrimas. Os filmes trágico-corriqueiros eram a minha purga semestral, apagava os fusiveis cerebrais, chorava na escuridão como uma menina e saía limpo e luzidio. Entraste tarde, caíste, ofegante, na cadeira ao meu lado. Depois disseste-me que foi nesse momento que os nossos olhos se encontraram. Mas eu não me lembro dos teus olhos. Lembro-me sim do odor do teu corpo, uma mistura excitante de rosas, canela e sexo. Talvez trouxesses ainda o cheiro de algum dos teus amantes – eras uma verdadeira Torre do Tombo passional e estavas sempre disposta a ir repescar uns dados esquecidos a uma pasta antiga.

Mas nessa altura eu nem sequer sabia isso. E nunca me aproximara tanto do teu corpo. O teu cheiro surpreendeu-me pela delicadeza e pela névoa erótica. Encostei o meu braço ao teu e comecei a transpirar. Sentia uma vontade violenta de me desmoronar em ti. Não, não era fazer amor. Fazer amor não existe, porra, o amor não se faz. O amor desaba sobre nós já feito, não o controlamos – por isso o sistema se cansa tanto a substitui-lo pelo sexo, coisa gráfica, aparentemente moldável. Tambem não era foder, fornicar, copular – essas palavras violentas com que tentamos rebentar o amor. Como se fosse possível. Como se o amor não fosse essa fornicação metafisica que nos diz respeito – sofremos-lhe apenas os estilhaços que nos roubam vida e vontade. Eu queria oferecer-te o meu corpo para que o absorvesses no teu. Para que me fizesses desaparecer nos teus ossos. Eu educado no preceito alimentar de que os rapazes comem as raparigas, depois de uma vida inteira de dominio dos talheres queria agora ser comido por ti. Queria entregar-me nas tuas mãos.

E entreguei-me – terás percebido isso? Deixei de saber quem era. Continuo a precisar de ti para existir. Para dormir. Um dia confessei-te que tinha insónias. Terei chegado a explicar-te que as Variações Goldberg de Bach nasceram de um pedido do Conde Kaiserling, que lhe solicitara um tratamento para as insónias? E que por isso Bach escreveu as variações de acordo com uma receita que exigia «uma invariabilidade constante da harmonia fundamental»? Conversávamos pela noite dentro em tua casa, tú já mal conseguias manter as palpebras levantadas. Pedi-te que me deixasses ficar mais um bocadinho, porque me custava entrar em casa sem sono. Pegaste-me na mão,
- anda comigo!
e levaste-me para a cama. Enroscaste-te em mim e começas-te a coçar-me as costas muito devagar. Dormimos muitas e muitas vezes assim – e nunca, nem por um segundo, pensámos em fazer aquilo a que os inocentes chamam sexo. Falámos muito disso sim – desse acto a que as pessoas vão chamando sexo ou amor consoante as conveniências e as circunstancias. Esse acto que as pessoas vão repetindo até á mais exaustiva solidão. Nós não podiamos prescindir um do outro. Não podíamos entrar no infinito jogo finito do corpo. Derramei sobre a tua vida, por incontáveis noites, os meus breves amores perfeitos, pormenor a pormenor. E tu derramas-te sobre a minha as tuas paixões impossíveis, impossíveis de apagar.
Desejo-te tanto, ainda.



Inês Pedrosa - "Fazes-me Falta" - Publicações Dom Quixote

25.10.07

Grito último

Tenho o ventre cheio de palavras.
Não se expelem, as malditas!
Enchem-me de sons e becos
que sei, amor, nada dizem.
Nada para além do indizível.

Embalo-te num afago e sei
que a tua dor foi e é e será a minha.
Afinal...
estamos juntos no abismo da vida.
Afinal só tu poderias entender
o beijo que não sei beijar nas palavras.

Só tu poderias carregar a minha
dor contigo. Nos teus genes.
Na tua incapacidade de ser.
Na tua imperfeição tão perfeita,
meu amor. Tão...
perfeita.

Fogem-me as palavras
o grito último.
Repouso no teu colo
e beijo-te os dedos, faminta.

Só tu meu amor.
Só tu.

(Fairy-Morgaine)

10.10.07

Nada em troca!

"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca."
(Antoine de Saint-Exupéry)

9.10.07

Infernos

Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que no meio do inferno não é inferno, e preservá-lo e assim abrir espaços de precepção.” (150)
Ítalo Calvino- "As cidades invisíveis"

14.9.07

Madeleine


É impossível ficar indiferente perante o desenrolar dos acontecimentos relacionados com o desaparecimento em Portugal da menina inglesa chamada Madeleine McCann.

Nos ultimos dias este caso atingiu foros de surrealismo sem limites com as investigações da policia e a procuradoria da justiça a envolverem os pais no desaparecimento da menina. Nesta onda de muitas palavras e pouco bom senso a imprensa tem desempenhado bem o papel de incendiario travestido de bombeiro.

Como pai e pessoa de bem, recuso-me sequer a imaginar aquilo que muitos já dão como factos consumados. E ainda nessa qualidade manterei até prova em contrário uma esperança inquebrável que aqueles olhos meigos não se fecharam para sempre e que as lágrimas derramadas pelos pais não eram de crocodilo.

É em ocasiões como esta que sinto alguma inveja daqueles que acreditam que rezando, o mundo poderia ser diferente.

4.9.07

Africa misteriosa!

Para quê ir á escola se a geografia ainda por explorar está nas formas únicas do meu corpo, a história da humanidade se pode aprender nos meus olhos, a biologia das paixões se vive nos meus lábios, a química da verdadeira fórmula do amor resulta dos meus beijos e tudo quanto se criou de verdadeiramente belo no mundo até hoje, partiu de dentro de mim!!!

14.8.07

Memórias a preto e branco


estranho.
consta por aí que nos amámos em tempos. que o nosso amor até afrontou a moral vigente nas regras da cartilha retrógada, instituída por aqueles que por falta de vida própria vivem a dos outros. referem pormenores sórdidos e passiveis até de excomunhão. falam de caricias infames partilhadas em público enquanto os corpos transpirados se colavam nas pistas de dança. citam os beijos prolongados até á exaustão com o mar como fundo e o sol quente de dezembro como cumplice. criticam as mãos ousadas que trocavam de corpo debaixo dos casacos nos nossos passeios de fim de tarde pela marginal.

estranho.
não me recordo de absolutamente nada destes factos. não sinto nem guardo mais nada deste tempo que não seja medo. medo de a partir do nada que eu diga ou faça, recomeçar mais uma qualquer acusação gratuita e falsa. medo da incontrolável loucura que te possue
de cada vêz que deixas entrar em ti a irracionalidade da doença incurável do ciúme. medo de um dia não ousar conter a raiva e em vêz de bater com a porta, bater-te a ti. medo de mim. medo daquilo que não consigo compreender por mais esforço que faça. medo de antes de desistir voltar a insistir.

Estranho.
Instalou-se-me uma branca que apagou todo o arco iris de quatro anos de vida. espero que o tempo ajude tambem a apagar o buraco negro em que me meti.

27.7.07

Porque me esperas?

Porque me dizes que esperavas mais de mim? Porquê esperar algo de alguem que nada tem? Porque não racionalizas enquanto esperas, aquilo que podias ter dado a mais, esperando menos?.

Não quero mais obrigações morais, infidelidades escondidas ou passeios de familia para enganar a vizinhança.

Não quero dar mais nada por simpatia ou moralismos. Dei tudo quanto tinha a dar e o que tive de volta basta.

Nem receber, porque assim estou bem. Recebi tudo quanto me devias, porque nada. Paixão, sexo, tesão, não se trocam, vivem-se. Mãos, linguas e corpos transpirados não se repartem, oferececem-se. Amor, carinho, e atenção não se exigem, merecem-se.

De ti quero apenas a distancia entre o silêncio completo e o olhar cumplice. Nada de palavras e cobranças fisicas ou morais. Melhor ainda. Porque sou imoral tal como afirmas, quero a estrada livre para ir e voltar. Sem prévio aviso. Quando o corpo me pedir o teu e o teu me aceitar assim.

Tal como o predador da noite, quero a cancela aberta, escancarada. O salvo conduto para o abismo de onde ambos não merecemos sair.

Mas por favôr, não me exijas em troca que venda a consciência ao desbarato.

30.6.07

As sete maravilhas da blogosfera


Depois de bondosamente votado para As Sete Maravilhas da Blogosfera, nacostadoindico não poderia deixar de participar na nomeação, apesar da subjectividade das opiniões de cada um. Aqui ficam as nomeações cá da casa:
Momentos de Vida - "Qual será o tamanho do Claustro neste cérebro? Uma tempestade tropical de progesterona. Um fenómeno que, ou muito nos enganamos, ainda acaba perpétuado nas montras de muita livraria"

Crónicas - "Intimo, intimista. Revolta interior que transborda para quem lê. Um Xokolate muito doce"

Womanhood - "Tú sabes porquê"

Contos Secretos - "Um hábito diário de auto-carinho. Indispensável"

Ma-chamba - "A verdade contada por quem sabe. A opinião que vale a pena lêr"

Passeai Flores - "O mundo dos baixinhos contado por uma mãe super talentosa"

Cenas de Gaja - "A Princesa que nunca cresce. Sissi no conturbado e confuso mundo dos grandes. Inteligente e pouco convencional"



Existem claro muitos outras praias onde nos perdemos. Mas estas são de visita obrigatória.