25.10.07

Grito último

Tenho o ventre cheio de palavras.
Não se expelem, as malditas!
Enchem-me de sons e becos
que sei, amor, nada dizem.
Nada para além do indizível.

Embalo-te num afago e sei
que a tua dor foi e é e será a minha.
Afinal...
estamos juntos no abismo da vida.
Afinal só tu poderias entender
o beijo que não sei beijar nas palavras.

Só tu poderias carregar a minha
dor contigo. Nos teus genes.
Na tua incapacidade de ser.
Na tua imperfeição tão perfeita,
meu amor. Tão...
perfeita.

Fogem-me as palavras
o grito último.
Repouso no teu colo
e beijo-te os dedos, faminta.

Só tu meu amor.
Só tu.

(Fairy-Morgaine)

3 comentários:

Anónimo disse...

Ilustre desconhecido,

Por um acaso do destino já conhecia esse poema. Um poema que só fala quando precisa e que de tão mudo grita nos sentidos. Na negação do real. Na fuga do indizivel, como a escritora o diz.

Também sou faminta na escrita, somente nela me liberto. Me assumo e não condeno. Nela a razão de uma mentira real. O querer e não poder.

Sabes? Fiz da escrita meu confessionário e minha penitência. Como um bebado rasgo nas palavras o vício e… mantenho-me sóbria.

Nesse grito último esta a verdade. Mas não a realidade.

Quem sabe um dia entendas… o que a muito já entendeste.
Bjs doces

Jácome D`Alva disse...

Anonima(o) habitual,

A manutenção da sobriedade neste mundo de loucos é tarefa para heróis e nós somos simples mortais.

A dura realidade á muito ultrapassou a ficção. Resta-nos o uso e aproveitamento das palavras que serve de travão ao descalabro, equilibrando-nos.

Ah!! e a fuga... essa arte milenar k continuamos a aperfeiçoar dia a dia.

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

xiiiiiiii....

love is in the air...lalalala!!

gostei muito******