5/Jun/2009

Dialogos Prováveis (parte III)

Afinal a minha ilustre CONVIDADA tem talento como tinhamos a certeza. Apesar de poupadinha nas palavras, deu um toque de beleza e intensidade á nossa história que lhe estava a faltar. E claramente fez subir a temperatura da Sofia e do Carlos o que é por demais importante. Acredito e desejava, que tivesse ido mais alem, mas... Agora é necessário continuar. As nossas personagens carregam um passado cheio de surpresas e claramente, a noite não pode acabar assim sem que o desvendemos... Alguem se candidata a co-autor?
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Sofia sentiu um frio no estomago, seus olhos húmidos e túrgidos ergueram-se e fixaram-se nos de Carlos acompanhados de um suspiro, reflexo de todos sentimentos lhe invadiam a alma. Ao aperceber-se da mescla de sentimentos confusos que pairavam em Sofia, e a si mesmo, Carlos abraçou-a. Entrelançando aquele corpo monumental com seus braços fortes. Nesse instante, os dois foram acobertados por uma brisa fresca que projectou Sofia a um momento de divagação.

Ela sonhava com um mundo perfeito, onde o sol brilhava para todos, a felicidade era plena, onde o medo e a incerteza não pairavam e as lagrimas eram sempre de alegria e emoção. Entretanto, aos poucos e delicadamente, Carlos se foi soltando, e lentamente percorreu com seus braços o quadris de sua companheira. Nessa viagem carregada de erotismo, já com as mãos na nuca, delicadamente beijou a face de Sofia que em jeito de Bela Adormecida acordou do instante de divagação.

Sofia abriu os olhos, ardente de desejo, esboçou um sorriso encabulado para disfarçar, enquanto pensava consigo mesma: “Vou? P`ra onde? O que sera que ele quis dizer? Sera que...?” Enquanto isso, Carlos levanta a sua mão e diz mais uma vez: “Vem Sofia, vem comigo!” Sofia toma a decisão em seu pensamento: “ao que a noite me levar, entrego-me por completo, confio na força que me move com esperança” logo dá a sua mão a Carlos e....... ........

3/Jun/2009

Dialogos Prováveis (parte II)




Não sei onde esta história vai terminar porque a AVID aceitou o meu desafio para lhe dar continuidade e vindo dela o melhor seria começar a chamar-lhe "Dialogos Improváveis". mas, dado que ainda existe um outro desafio não respondido, a ALGUEM que diz não ter talento para nos mostrar mas todos sabemos que não é verdade, espero poder publicar a continuação sem ter de alterar o título.

PS: Linda, o texto tá óptimo...

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Sofia sorriu cinicamente perante tal revelação e num impulso levantou-se. O gesto custou-lhe um ligeiro desiquilibrio em cima dos saltos Manolo Blahnik de quinhentos dolares bem empregues, que nesse exacto instante lhe magoavam tanto os pés que ela sentiu o sangue escorrer pela alma. Com a mesma delicadeza misturada a uma timidez característica de quem disse algo que não devia, Carlos a amparou como se preserva uma preciosidade prestes a quebrar ao mínimo som do vento.

Odiava sentir-se fraca, mas a mistura da bebida e o excesso de ousadia descabido provocava-lhe náuseas fazendo com que ela endurecesse a expressão do rosto, como habitualmente fazia. Ele sorriu percebendo nela a mesma mascara que durante anos tinha usado para deixar transparecer tudo aquilo que não era.
- Entendo a surpresa - Disse ele num tom neutro quebrando o silêncio aborrecido que se inha instalado.
- Não entendes. Ninguém entende - Respondeu ela falando de outras vidas e soltando uma gargalhada cínica mas completamente quente e sensual.
Sofia desprendeu-se dos braços que ainda a seguravam dando-lhe equilíbrio. Afastou-se e de pé, encostou-se na mesa para deixar que a brisa lhe levasse embora a vergonha que sentia por ter sido tão ousada em demasia, calando a boca enquanto perdia o olhar no horizonte negro.
Carlos observou-a mais atentamente. Sofia era uma mulher alta, de traços e gestos elegantes. Concerteza deveria pertencer a alta sociedade maputense pois pelo muito que ele conhecia de roupas e marcas ela se vestia com o mais bom gosto encontrado na praça. Agora, parecia fria e distante, mas ele poderia jurar que aquela mulher saberia perfeitamente levar um homem a loucura caso se entregasse de verdade. Qualquer homem, menos ele, claro. Afinal não se sentia atraído por mulheres e logo agora que nada mais tinha a esconder estava ali perdido a tentar entender aquela estranha que de forma quase ingénua se tinha atirado a ele. Sorriu em silencio e aproximou-se mais do seu corpo e num sorriso encantador ofereceu-lhe um cigarro que ela aceitou.
No instante em que Sofia aceitou o cigarro, um toque inesperado quase se fez choque entre as mãos de Carlos e Sofia, o que fez que se entre olhassem e dividissem incógnitas e segredos mesmo sem palavras. Conversaram banalidades enquanto fumavam o primeiro cigarro e quase que instintivamente ela começou a balançar-se ao som da old music que vinha de dentro da discoteca, ele acompanhou-a e encostou-se as ancas bem proporcionadas de Sofia. Sofia nada falou. Rebolava devagar enquanto sentia a respiração quente e muda de Carlos aquecer-lhe os ombros quase nus. Carlos sentia-se estranho perante aquela mulata misteriosa e ausente, observava Sofia quase entrar em transe no ritmo e, num impulso inexplicavel virou-lhe o rosto contra o seu.
Sofia não conseguiu falar porque o olhar de Carlos calou-a. Não foi um olhar habitual. Foi um olhar estranhamente diferente e caloroso que nada tinha a ver com sedução.
-Vem comigo Sofia - Disse Carlos como se da sua boca renascesse o poema de uma morte por anunciar.

26/Mai/2009

Diálogos Prováveis (parte I)




Diálogos Prováveis na Noite de Maputo



Vestiu-se de forma a evidenciar os atributos fisícos que sabia ainda manter intactos. Saíu de casa naquele sabado á noite, disposta a recomeçar a viver. Seis meses de clausúra eram já mais que suficiente para cumprir o luto pelo fim de uma relação fracassada de seis anos. Juntou-se a um grupo de amigas e nessa noite beberia o suficiente para se desinibir, divertir-se e possívelmente acabar a noite nos braços de alguem.
Depois do jantar num dos restaurantes da moda e das habituais discussões acerca do local onde terminar a noite, decidiram-se pela discoteca mais famosa da cidade. O ambiente era demasiado jovem para ela e a música não lhe agradou de inicio mas acabou por ignorar os pormenores e cumprir aquilo que tinha planeado. Divertir-se e esquecer. Dançou durante duas horas seguidas, riu bastante e a meio da noite descobriu um olhar masculino e provocador que a perseguia pela pista de dança. Estava cumprida parte da noite e era chegada a altura de passar á ultima fase.
Pelos sinais que se recordava e que eram usados universalmente pela fauna urbana da noite, convidou-o com o olhar a aproximar-se dela. Durante alguns segundos fixou-lhe os olhos negros e rebeldes usando um olhar insinuante e sorrisso fingidamente candido. Ele, respondeu com um sorriso cumplice mas permaneceu de pé, encostado ao balcão de forma provocadoramente desinteressada. Ela ficou embaraçada e por alguns instantes desviou o olhar. No meio daquela turba onde predominavam jovens femeas predadoras, aquele era sem dúvida um dos troféus mais apetecidos mas sentia-se capaz de o levar para casa.
A aparente timidez dele obrigou-a a mudar de estratégia. Disfarçadamente desceu o decote da blusa e encheu o peito. Olhou-o desafiadoramente de frente e levantou-se. Agarrou o copo e atravessou a sala repleta de gente frenética que abanava os corpos ao som da música e sem nunca deixar de o olhar nos olhos, aproximou-se. Visto de perto era ainda mais interessante. Jeans de marca e camisa preta. Pele morena clara, olhos escuros e lábios sensualmente grossos. O cabelo castanho claro ondulado e prepositadamente despenteado, dava-lhe um ar de menino rebelde apesar de evidenciar que já passara dos trinta.
- Boa noite. Aqui está um barulho infernal . Trocas por momentos o conforto do balcão e acompanhas-me ao jardim para podermos conversar um pouco enquanto acabamos as nossas bebidas?
- Porque não? – respondeu ele.
Ela pegou-lhe na mão e arrastou-o atrás de si enquanto abria caminho. Transpôs a porta de acesso ao jardim, ladeou a piscina e escolheu uma mesa no fundo meio escondida entre palmeiras, onde o som da pista de dança chegava com pouca intensidade e permitia dialogar.
- O meu nome é Sofia. Sou divorciada à poucos meses e não saio de casa para locais como este á cerca de dois anos. Devo ter perdido o ritmo pois tanta gente junta confunde-me. Tú és um homem demasiado bonito para estares neste local sózinho. Que se passa?
- Obrigado pelo elogio. Tambem és muito bonita e sexy. Chamo-me Carlos. Tenho uma filha de 3 anos e vivo só. Fui casado mas descobri outros caminhos e tambem me divorciei.
- Outros caminhos? Que significa isso?
- Provávelmente vou-te desiludir mas... descobri que afinal o que gosto verdadeiramente é de homens. Sou gay, portanto...


21/Mai/2009

Opções


Por norma encanto-me fácilmente com as pessoas num primeiro contacto mesmo que breve. Salvo em raras e importantes situações, tambem por norma desencanto-me naturalmente ao fim de algum tempo. Esta reconhecida incapacidade de consolidar o portfólio de amizades duráveis, coloca-me por esta altura num dilema existencial. Desde que te conheci que não me sais da almofada. E, ou te mantenho aí e sei que vais durar, ou te meto nos debaixo lençois como claramente pretendes e aí sei, vai começar a contagem decrescente.

Dúvidas deste género à uns poucos anos atrás nem se colocavam. Era caminho directo para a fogueira seguido de uns quantos dramas de alcofa inevitáveis e um afastamento natural e irrerversível. De tantas vezes ver o filme até já os nomes dos duplos conheço.
Nesta altura da vida, ou o barómetro que rege as opções anda avariado ou fiquei adulto antes de tempo.

20/Mai/2009

As mulheres são o que são!



Não resisto a transcrever daqui. Com uma respeitosa vénia!

As mulheres trocam tudo. Especialmente trocam quando desligam o coração do corpo: impossível cirurgia. Porque a fazem? Querem um amor livre de sofrimento como um iogurte livre de açúcar? Não há. Vão para a cama com um homem, têm um orgasmo e acham que se apaixonaram. Se têm o azar de ser sexualmente compatíveis com esse homem, porque as anteriores experiências do sexo os deixaram a ambos no mesmo patamar performativo, acham que amam, que é a mística da pele ou as feromonas ou outra merda qualquer sentimental e zoológica. Se a isto se junta alguma proximidade de referentes académicos e sociais é, seria se eles deixassem, a predestinação, como não deixam, o drama de ter e perder! Viram a luz, pela vigésima vez, mas já esqueceram as outras dezanove... Os homens têm, no sexo como na linguagem, um coração mais escorreito, menos rasteiro. Andam mais próximo da verdade. Sexo é sexo. É desejo e posse todo o tempo em que o desejo de posse durar. Se é bom, melhor, demora mais do a ao z. Mas não lhe chamam amor por causa disso. Claro que todo aquele maluquedo de serem o senhor irresistível número x/2009 os envaidece. Isto é um desencontro horrível: elas engolem dicionários à procura do brilho da palavra que, enquanto os ofusque, as enalteça, eles andam à procura do primeiro, tão simples, "gosto de ti". Em tudo o que é genuíno, do amor à arte, há, não a elaboração, mas o despojamento da carne em espírito vivo.


12/Mai/2009

Marcas de Guerra


Prisioneiro das teias que tecemos, interrogo o tempo que passou e não te apaga. Ès um peso que carrego, leve e agradável em alguns poucos momentos, insuportável e agreste quase sempre, em especial quando invades sem convite as minhas carências afectivas. E eu que tanto lutei para seres apenas mais uma indolor cicatriz de guerra, começo a equacionar a possibilidade de ter de recorrer a uma qualquer dessas modernas cirurgias experimentais para te remover definitivamente de mim.



20/Fev/2009

Proximidades

Foto de Paulo Madeira

Tenho passado as ultimas semanas a pensar em algo que te possa fazer ou dizer e cujo efeito seja suficientemente forte que te ajude a suportar estes tempos de incerteza.
Mas a incapacidade para entender estes designios e a consequente raiva, incapacita-me de pensar algo que não seja equivalente a sentimentos tão intensos e negativos.
Ainda se soubesse rezar. Mas esqueci todas as ladainhas milagrosas que a minha velha avó me obrigava a repetir, de joelhos no chão aos finais de tarde. E só um deus muito distraído daria ouvidos a um declarado ateu que só lhe bate á porta quando está aflito. Ainda por cima a mover influências por terceiros o que é politicamente pouco correto nos dias de hoje. Por essa via acho que te ajudaria pouco.
Tenho ensaiado diversas frases sem nunca conseguir fugir das banalidades e lugares comuns. Por certo és forçada a ouvir a cada instante coisas identicas e se bem te conheço, devem fazer-te mais mal que bem. Equaciono com frequência a justiça e a injustiça de situações como a que vives, contrapondo os bons e os maus e porque mal traçado caminho se regem estas coisas do livre arbitreo. Porquê tú? Porque não eu ou um dos muitos fdp que aterrorizam o mundo?
Auto censuro-me porque estivemos tão perto de sermos nós e agora nem palavras adequadas encontro para te dizer. Não é o momento para arrependimentos mas...
Com algum alívio egoísta da minha parte, durante a nossa conversa de hoje á tarde acabaste-me quase completamente com este dilema. Porque, percebi finalmente que não necessitas de frases profundas nem gestos extravagantes. Tens apenas e só um duelo de morte para travar no sentido literal das palavras e dos factos. E em vez de te agarrares á almofada a chorar a má sorte, encontraste a arma letal que vai vencer o inimigo, precisamente no baú que guarda o tesouro. Dentro de ti. Com a força que sempre te conheci mas que julguei afastada pelos maus acasos. Felizmente ela voltou na hora certa.
E após termos desligado o telefone senti-me profundamente aliviado e convicto que, entre gargalhadas e provocações, em breve teremos mais umas histórias para contar.
Neste momento apenas te devo repetir. Vai e renasce. Por ti primeiro que tudo, mas tambem pela obra que pariste e que urge ser concluída. O que apenas tú podes fazer. Por ele e pela mulher unica que és. Expulsa e mata a fera estúpida e brutal que cobardemente te atacou e volta renascida.
Agora, desisto de tentar recordar-me das rezas e de encontrar palavras compostas á medida da minha angustia. Só quero olhar-te os olhos e a tua companhia num café adoçado com um beijo.
PS: Uma unica imposição para quando estiveres a 100%. Ficas proibida de subir coqueiros sem eu estar por perto. Com ou sem...

19/Fev/2009

Blogosfera como serviço público


“A homossexualidade não é normal” - Disse D. José Saraiva Martins, um alto dignatário da igreja católica portuguesa durante uma entrevista televisiva realizada no Casino da Figueira da Foz em Portugal. (um local no minimo estranho para pregações)

"Normal é um homem andar toda a vida de saias e morrer virgem" - Responde com oportunidade o jornalista Daniel Oliveira no blogue Arrastão.

20/Jan/2009

A little less conversation a little more action (short fiction story of a prelude to a New York kiss)


(Existem blogues maus e blogues bons. Este é entre os bons um dos melhores. Com a devida vénia ao Hugo Gonçalves). (falta o som original mas tambem não se pode copiar tudo)


Ela disse-lhe: 'You make wrinkled shirts look cool'.


Ele tinha uma nódoa de rum cola junto ao colarinho - alguém o empurrara num alcoolizado momento de dança, os dedos ficaram molhados, depois pegajosos, açúcar que ele lambeu baixando a cabeça como um miúdo que acabou de cometer uma ilegalidade na cozinha. Ele disse: 'I don't smoke, but do you have a cigarette?'
Ela aproximou-se mais. Tinha o cabelo ruivo, os olhos azuis, dedos com manchas de tinta. Ele tirou mais pedras de gelo do balde em cima da mesa. Disse: 'So you're an artist?' Ela tirou-lhe o copo da mão, provou, serviu mais rum: 'Boys need to be boys'.
Ele bebeu. O fervor do excesso de álcool espalhou-se nas paredes da boca e por todo o sistema nervoso. Olhou para o vestido dela, os ombros sem tecido, uma veia azul no pescoço quando ela se ria. E ria-se tanto. Ela perguntou: 'Nina Simone or Billie Holyday?'
Ele aproximou-se, as ancas de ambos a menos de um dedo de distância, uma das mãos segurando o copo, a outra a pousar no vestido, um pouco abaixo das costelas, até que o polegar deslizou, apertando-lhe o ponto onde se estreia a virilha. Por cima do vestido, ele podia sentir o fino elástico que lhe rodeava a cintura. Ela disse-lhe, boca ao lado da boca: 'It's like you're undressing me already.'
Cruzaram a festa, ela parou para conseguir um copo de água, gelo, limão. Ele agarrou um cubo de melancia que se transformou em sumo dentro da boca. Havia fumo, e fila para a casa de banho, e pessoas que tinham chegado da praia. Duas irmãs de bikini bebiam margueritas. Um ilustrador sóbrio falava com um diplomata ganzado. No corredor, onde a corrente de ar apagara as velas no chão, alguém mordia o pescoço de alguém.
Subiram para o terraço do prédio: um sofá, antenas de televisão, as pontes sonoras e iluminadas sobre o East River.
Ela inclinou-se no parapeito do terraço, virou-lhe as costas, disse: 'I think I've never made out with anyone in Brooklyn.' E bebeu a água, limpou a língua, estilhaçou uma pedra de gelo dentro da boca, produziu saliva com sabor a limão.
Ele disse-lhe: 'Water melon tongue', e a sua mão pressionou-lhe a curva onde as costas se despistam, puxou-a para si, a outra mão segurou-lhe a cara, o dedos entraram no cabelo, agarrou-a com mais força, e ela afastou as pernas, roçou a pele das coxas nas calças de ganga, o centro do seu corpo cedeu, um ombro inclinou-se, os lábios cresceram, a sua boca podia ter dito: 'Do something to me'.
Ele virou-a de costas e apanhou-lhe o cabelo na nuca com uma das mãos: firme, sem espaço de manobra. Com a outra mão desceu-lhe uma alça do vestido, usou um dedo para contornar a curva do ombro, descer pelo peito, sobrevoar o mamilo. Mordeu-lhe o pescoço, os músculos da nuca, deixou a marca dos dentes.
Ela disse: 'Do it already', e rodou sobre si mesma, a alça a meio do antebraço, a boca apontada, a urgência de ficar sem fôlego.
E depois beijaram-se.

19/Jan/2009

Tarde, quase sempre....


Entras-me no pensamento enquanto olho o fumo do cigarro que sobe ao longo dum ténue raio de luz e se desfaz na penumbra da sala. Chegas acompanhada daquele perfume forte que te sai dos poros e que, como um fantasma de estimação me persegue para todo o lado com o unico objectivo de me recordar de ti e complicar ainda mais a vida. E, como sempre, reprimo a vontade de pegar no telefone e te gritar aos ouvidos o desejo necessário e urgente que me invade o corpo á tempo demais. Sei-te livre e disponivel. Mas não consigo confessar-te por palavras que sei exatamente a que cheira o teu corpo transpirado quando solitária deixas correr as mãos e os dedos pela pele quente. Porque não encontro forma de justificar a razão de te comparar com cada uma daquelas que me partilham e que quase nunca deixam mais que a breve intensidade de um extase. E sobretudo como não ser vulgar ao confessar-te que te desejo mais que qualquer outra, mesmo aquelas que conheces e a quem criticas por eventualmente terem “caído na minha teia”, como afirmas segura e certa de que contigo nunca seria assim.
Aprisiono a vóz mas não o calor que me amarra ás memórias daquilo que nunca tive e provávelmente nunca terei. Desculpo-me na tua incapacidade para me perceber teu prisioneiro sem que seja necessário dizer-to na cara. Não me atrevo sequer pensar que a distancia de ti a que me obrigas, é apenas e só, a tua forma de me sentir. E na minha incapacidade para te demonstrar que apesar de assim estarmos socialmente livres da má lingua costumeira, o nosso unico lugar compensador era socializarmo-nos um no corpo do outro.
O fumo do cigarro á muito desapareceu engolido pela pouca pela luz que passa atravéz do cortinado. Fica o teu perfume a pairar na sala vazia onde vagueia intruso, o teu fantasma. E a absoluta certeza que comecei a adiar-me no dia em que te conheci.